A questão do mal em Agostinho

Posted: 3.5.08 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Agostinho foi uma das grandes mentes do Ocidente que tentou resolver o chamado “problema filosófico do mal”. Sua abordagem da questão não foi apenas prática, mas brilhante. Existem dois diferentes aspectos neste problema. Uma maneira de abordar a questão da origem do mal é levantando um silogismo (uma série de afirmações que formam um argumento coerente: 1) Deus criou todas as coisas; 2) o mal é uma coisa; 3) portanto, Deus criou o mal. Se as duas primeiras premissas são verdadeiras, então a conclusão é inescapável.

Essa formulação, se sustentada, é devastadora para o cristianismo. Deus não seria bom se ele tivesse criado o mal. Agostinho percebeu que a solução estava relacionada à questão: o que é o mal? O argumento acima depende da idéia de que o mal é uma coisa (veja a segunda premissa). Mas e se o mal não for uma "coisa" nesse sentido? Então o mal não precisaria ser criado. Então, sua busca pela fonte do mal irá por outra direção.

Agostinho abordou a questão por um ângulo diferente. Ele perguntou: Há alguma evidência convincente de que um Deus bom existe? Se alguma evidência nos leva a concluir que Deus existe e é bom, então ele seria incapaz de criar o mal. Então, sua fonte deve ser alguma outra coisa.

Se essa abordagem de Agostinho é verdadeira, ela levanta um par de silogismos que leva a diferentes conclusões. Primeira: 1) Todas as coisas que Deus criou são boas; 2) o mal não é bom; 3) portanto,o mal não foi criado por Deus. Segunda:1) Deus criou todas as coisas; 2) Deus não criou o mal; 3) portanto,o mal não é uma coisa.

Essa é a estratégia de Agostinho. Se o mal não é uma coisa, então o argumento contra o cristianismo desenvolvido pelo primeiro silogismo que vimos não tem fundamento porque uma de suas premissas é falsa. A questão fundamental é: o que é o mal?

Central para a idéia de bem de Agostinho (e, consequentemente, de mal) era a noção do ser. Para Agostinho, tudo o que tinha o ser era bom. Deus como a fonte do ser é perfeitamente bom, juntamente com tudo o que ele trouxe à existência. A bondade é uma propriedade que varia em diferentes níveis.

Com esse fundamento, Agostinho estava agora preparado para responder à questão principal: Onde está o mal? Qual a sua fonte? Quando e por onde ele entrou? A resposta de Agostinho foi: "O mal não possui uma natureza negativa, mas a perda do bem recebeu o nome de 'mal'".

A diminuição da propriedade do bem é o que é chamado mal. O bem tem um ser substancial, o mal não. Desde que todas as coisas foram feitas boas, o mal necessariamente deve ser uma privação do bem. "Tudo o que é corrompido é privado do bem".

Então, dizer que alguma coisa é má é apenas uma maneira de dizer que ela é privada do bem, ou tem uma quantidade menor de bem que deveria ter. Mas a questão permanece: "Quando e por onde ele entrou?".

Agostinho observou que o mal não poderia ser escolhido, pois ele não era uma coisa a ser escolhida. Alguém pode apenas afastar-se do bem, isso é, de um grau maior para um grau menor (na hierarquia de Agostinho) desde que todas as coisas são boas. Pois, segundo ele, quando a vontade abandona o que está acima de si e se vira para o que está abaixo, ela se torna má - não porque é má a coisa para a qual ela se vira, mas porque o virar em si é mau. O mal, então, é o próprio ato de escolher um bem menor. Para Agostinho a fonte do mal está no livre arbítrio das pessoas.

16 comentários:

  1. Morgana says:

    uhm, legal isso aí... nunca tinha pensado por esse lado.. Deus deve uma ao Agostinho, escapou de ter criado o mal. hehe

  1. Este argumento de Agostinho é graça de Deus. Uma criatura é Agostinho assim como cada ser humano, porénm se destacou entre muitos pela sua inteligêcia e pela garça.

  1. Ótima explicação.

  1. Nao valeu! Agora eu entendi. Digo: Minha ideia ficou clara. Muito Obrigado, aos Mano ou as mina. Valeu?

  1. Então!!! Qto mais distante de Deus, mais ruins nos tornamos.

  1. Agostinho nao conhecia os virus , kkkkkkkk

  1. Isso que acontece quando se é guiado pela graça de DEUS.

  1. Isso que acontece quando se é guiado pela graça de DEUS.

  1. Mas ainda se pode englobar na abordagem do mal no ponto de vista metafisico em Agostinho, do qual ele fala que o mal não existe, oque existe são as diferentes proximidades com Deus, sendo o mal visto de formas diferentes por cada um de nos, algo que seria interpretado de acordo com os nossos próprios interesses

  1. Marcão says:

    Eu teria outra pergunta a fazer se fosse Agostinho: Porque Deus permite o mal? Ora, para que o ser humano aprende o que não deve fazer e assim evoluir moralmente.

  1. Unknown says:

    Alguém sabe a resposta dada pelos maniqueístas ao problema do mal????

  1. Santo Agostinho Afirma que o mal é uma quatidade menor De Bem,e Deus criou o Bem,não importa a quantidade,Logo Deus criou o mal(quantidade baixa de Bem) '-'

  1. É como fica Isaías 45, versículo 7:Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
    Isaías 45:7

  1. O mal já existia antes dá criação. Tanto que foi colocado no Éden a árvore do conhecimento do bem e do mal.a

  1. Afirma que o mal não é uma coisa, então não foi criada, ele surgiu sozinho pelo livre árbitro das pessoas .

  1. Faith says:

    Isaias 45:7 está corretissímo. O que Agostinho afirma que o mal não existe quanto essência, ou seja, substância, Uma Font, origem.Ele afirma que se procurarmos Uma fonte só encontraremos a essência, Bem, que é Deus.Daí o livre arbítrio: se aproximar de Deus, próximo do Bem;afastar-se de Deus, diminuir o grau de bondage. Lógico que isso só é válido para aqueles que acreditam em Deus.